Destaque

Encerramento das Atividades

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Foram 10 anos de existência… Uffa! Chegou a hora de desbravar novos mares, e viver novas aventuras. Por isso encerro aqui as atividades desse blog que cultivei com tanto carinho e dedicação ao longos desses anos.
O blog sairá do ar em breve, então se precisa anotar algo seja rápido.
Informo também que neste ano (2020) não haverá Conferência de Runas e Espiritualidade Nórdica. Não, não estou encerrando o evento, apenas fazendo uma pausa para reestruturação e descanso. Considerem que estou tirando o ano sabático.
Grata à todos por esses lindos anos!
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Praticando a fé nórdica

deuses nórdico

Este não é um texto sobre ASATRU, VANATRU, ODINISMO, RECONSTRUCIONISMO, ou qualquer vertente ligada ao paganismo nórdico. Esse é um texto sobre a minha prática pessoal e o meu relacionamento com esses deuses.

Minha conexão com o povo do norte deu-se através de uma leitura com as runas, onde eu recebi o convite para estudar e me familiarizar com o antigo alfabeto e consequentemente vieram às conexões com os Deuses.

Esse convite ou “chamado” pode acontecer de diversas maneiras… Podem ser através de sonhos, meditações, conversas, música, filmes, etc.. Não existe uma regra que diz que a partir de X momento você pode ou deve cultuar os nórdicos, ou seguir por esse ou aquele caminho. A fé, seja ela qual for, não é um jogo com instruções e níveis a serem alcançados.

Recebendo esse chamado, ou mesmo adentrando a fé por curiosidade o primeiro passo é buscar por fontes de informações sobre essa cultura. Leia tudo que for possível sobre o assunto, livros, sites na internet, artigos científicos, etc.. A leitura dos EDDAS é fundamental e obrigatória. Bem como o estudo das runas, pois são intimamente ligadas aos deuses e essa cultura. Cerque-se do máximo de informação, mas com o cuidado de manter sua mente aberta e não ter tudo o que lê como verdade absoluta. Tenha a leitura e os estudos uma constante dentro de sua prática no paganismo e/ou na magia (se este for o seu caso).

O próximo passo é se conectar com pessoas com os mesmos interesses que o seu a fim de trocar ideias e informações. Sei que pode ser difícil devido a várias questões como região onde se vive, e coisas do tipo, mas sempre temos as redes sociais e a internet que ajuda nisso. Seja humilde e paciente você está só começando, e nós que estamos praticando há algum (ou muito) tempo podemos ser um tanto impacientes e com certeza somos chatos, coisa da idade e da maturidade, você vai chegar lá e vai entender.

Você pode querer fazer parte de um grupo de estudos ou um Kindred (Os kindreds ou famílias, são formados por pessoas que comungam da fé e celebram juntos os ritos para os Deuses), busque com cautela. Infelizmente ainda existe muito machismo, homofobia e racismo dentro da fé, se encontrar algo assim, não hesite em sair, lembre-se você não é obrigado a nada, se sentir desconforto vá embora. Se preferir forme o seu próprio grupo ou pratique solitariamente.

Para exercer a fé não há restrições quanto há gênero, sexualidade, raça e local de nascimento. Para se conectar aos deuses do norte (ou a qualquer deus) não é necessário ter nascido nos países nórdicos, ou ter qualquer tipo de descendência.

A conexão com os deuses se dará gradativamente e você sentirá a hora certa de começar o culto, realizar celebrações e fazer oferendas.

O deus principal da fé nórdica é Odin, chamado de Pai de Todos, mesmo que não seja o seu principal deus de conexão acho conveniente honra-lo e agrada-lo.

E aproveito para deixar claro que o culto a Odin também não se restringe a homens. Nem o culto a Freya se restringe a mulheres. Aliás, existem milhares de mulheres adeptas e praticantes da fé nórdica, e está mais que na hora de pararem de ignorar isso.

Você pode ter um altar em honra aos deuses e a fé, o altar é seu local fixo de conexão com a espiritualidade, nele você pode acender velas, incensos, fazer suas orações e meditações, depositar oferendas, enfim, ter uma conversa com os deuses. O que deve conter nesse altar só depende de você, use sua intuição e sua conexão com os deuses para definir o que funciona ou não.

O mais comum são estatuetas representando os deuses, suportes para velas e incensos ou para queimar ervas, taças para servir bebidas, runas e amuletos e talismãs ligados à fé. Use sua intuição e mantenha o sempre limpo e organizado.

Se por qualquer motivo, você não puder, ou mesmo não quiser ter um altar, não se preocupe, pois ter um altar não é algo obrigatório. Você também pode monta-lo apenas quando for realizar uma oferenda ou celebração para os nórdicos.

As oferendas mais comuns são carnes e pães diversos, cerveja e hidromel ou qualquer bebida forte. E sempre gosto de acompanhar com um fogo ou vela acesa. Uma das coisas que mais gosto de fazer na vida é cozinhar para os deuses, a comida fica muito saborosa, e tem verdadeiro efeito mágico. Sugiro muito essa experiência. Convide seus amigos, ou sua família para uma celebração em honra aos deuses, cozinhe, e coloque a mesa, lembrando-se de guardar o lugar de honra do convidado. Comam e bebam e celebrem. Os deuses gostam muito disso.

Restos de oferendas perecíveis devem ser depositados na natureza tomando o cuidado para não deixar nenhum tipo de alimento que seja venenoso ou prejudicial para algum animal (cães e gatos são os mais comuns). Os demais podem ser jogados no lixo comum ou se preferir queime em uma fogueira ou recipiente apropriado.

Não deixe restos de velas, plásticos ou qualquer coisa do tipo na natureza, se puder recicle ou opte por outro material. Consciência ecológica é fundamental nos dias atuais.

Quando se trata do culto aos deuses e da prática da fé nórdica deve-se ter em mente o respeito, honra, e amor e devoção. E isso deve ser uma prática diária e não somente quando for realizar uma celebração ou ritual.

O que me leva a falar das 9 Nobre Virtudes, fortemente ligada às tradições nórdicas.

  1. Coragem é ter ousadia de agir corretamente, sempre.

  2. Verdade é a disponibilidade de ser honesto e falar somente aquilo que se sabe verdadeiro justo.

  3. Honra é a certeza de conhecer seu valor e sua nobreza interiores e o desejo de respeitar essas qualidades quando encontradas no outro.

  4. Lealdade é a vontade de ser leal para com seus deuses e deusas, seu povo, sua família e seu próprio ser, sem restrições.

  5. Disciplina é a determinação de ser duro, primeiro consigo mesmo e depois, quando necessário, com os outros, para assim poder alcançar maiores realizações.

  6. Hospitalidade é a boa vontade em compartilhar aquilo que é seu com seus semelhantes, especialmente quando eles estão longe de casa.

  7. Eficiência é a determinação de trabalhar arduamente e gostar daquilo que se faz, sempre.

  8. Autossuficiência é o espírito de independência alcançada não somente para si, mas para sua família, seu clã, sua tribo, sua nação.

  9. Perseverança é a tenacidade de persistir em seu propósito, sem desistir perante os fracassos, mas reconhecer e avaliar suas causas e analisar seu propósito. Se ele for verdadeiro e benéfico, preservar até conseguir sucesso.

(Mirella Faur – Mistérios Nórdicos)

A fé nórdica, a fé pagã, é uma prática diária, honrar a si mesmo, honrar a comunidade, e honrar os deuses.

Link com dicas de fontes de estudos para a fé nórdica: https://falandocomasrunas.wordpress.com/fontes-de-estudo-da-fe-nordica/

A complexidade de Freya

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Nunca me senti a vontade para explanar sobre os deuses, sobretudo sobre Ela. Talvez por eu me sentir deslocada, pois na fé nórdica temos os dias e o Sol como energia feminina e as noites e a Lua como energia masculina, ou ainda pela minha forte e principal ligação com o pai de todos.
Freya é uma deusa complexa… Para mim é o símbolo da mulher moderna. Empoderada, multi tarefas, e com tantas habilidades que eu , penso, não tenho como transcrever em palavras.
Freya é mãe que me acolhe e me envolve em seu manto de penas, me protegendo da chuva, do frio e do calor intenso.
Freya é sábia, mãe que orienta e castiga só pra mostrar quem é que manda e qual o caminho certo.
Freya é guerreira, é feiticeira. Adoça e encanta enquanto arranca seu coração e lhe sorri. E você não sabe se morre por ter seu coração arrancado ou porque se apaixonou pelo seu sorriso.
Freya é deusa. Freya é tudo que há em mim…
Desejo e desespero. Amor e dor. Compaixão e terror. Astúcia e torpor.
Freya é imprevisível. Doce e feroz.
Sempre fazendo valer sua voz.

Texto de Ligia Ramos (Raido)

Quem pode cultuar Odin?

Nesta época em que vivemos temos acesso a muita informação e isso pode se tornar um problema. São inúmeros sites, canais e pessoas falando de todos os assuntos possíveis e infelizmente, muitos de maneira irresponsável e até mesmo preconceituosa.

Existem muitas vertentes quando se trata da fé nórdica. Ritos, cultos e celebrações variam de acordo cada tradição, cada kindred e cada pessoa.
Dito isso gostaria de esclarecer que não existem (ou na deveriam existir) regras ou pré-requisitos para que quem quer que seja se conectar e cultuar os deuses.

Para exercer a fé não há restrições quanto há gênero, sexualidade, raça e local de nascimento. Para se conectar aos deuses do norte (ou a qualquer deus) não é necessário ter nascido nos países nórdicos, ou ter qualquer tipo de descendência.
O culto a Odin também não se restringe a homens. Nem o culto a Freya se restringe a mulheres.
A única “regra” que deve haver quando se trata do culto aos deuses e da prática da fé nórdica é respeito, honra e amor e devoção.

É claro que se deve estudar e conhecer os mitos, mas a meu ver, a intuição e conexão pessoal com os deuses é algo íntimo e pessoal e deve ser respeitada. Estudo e conexão pessoal podem e devem andar de mãos dadas.
Ouvir os deuses em seu íntimo é fundamental para criar essa conexão. E nada e nem ninguém pode dizer para quem você pode ou não prestar culto. Portanto, siga seu coração e seja feliz.

E lembre-se tempo pode ser sua maior oferenda.

E a todos aqueles que usam da fé nórdica (ou qualquer outra fé) para disseminar suas frustrações, preconceitos, machismo e afins eu desejo sorte para lidar com a ira dos deuses. Saibam que vocês são um desserviço a comunidade pagã.

Abaixo segue um texto (devocional) sobre esse assunto que compartilhei em minhas redes sociais.

67188832_2412979888745673_6871813116569583616_nOuvi dizer que mulheres não podem cultuar Odin… Ouvi dizer que os nascidos fora dos países do Norte não podem cultuar Odin…
Ouvi dizer muitas coisas de bocas que não dei importância.
Da boca Dele o que sempre ouvi foram palavras de acolhimento e bem querer.
Pois para mim, aquele que chamam de Pai de Todos, Odin, senhor que tem tantos nomes quanto são os ventos que sopram, escolhe pessoalmente quem são seus filhos e filhas. Ele decide e define quem pode e deve lhe prestar culto e lhe render homenagens.
Vaidoso, sempre sagaz, trickster, porém justo. Pai, andarilho, xamã, conselheiro e guerreiro. Contador de histórias, feiticeiro. É ele que traça meus caminhos, ele traça meu destino… Apenas sigo… Coberta por seu manto, e sempre atenta as suas palavras e aos seus sinais. Que eu sempre seja digna da sua morada e de ser chamada de minha filha por ti.
E a ti grande Odin, meu pai, toda honra e glória para todo o sempre.

25/07/19
23:00

Não existem runas das bruxas!

Embora seja bem comum o uso do termo runas, o correto é que somente os sistemas de origem nórdica sejam chamados de runas. Só os alfabetos fonéticos escandinavos utilizam regras que se adéquam ao termo runo.

Apenas os alfabetos derivados do Alfabeto Rúnico Proto – Germânico podem ser chamados de sistemas rúnicos. Portanto é incorreto magicamente e historicamente chamar qualquer oráculo/sistema que esteja fora dessa regra de runas.

Inclusive uma das regras dos alfabetos rúnicos é que eles tenham fonemas que permitam a escrita de sons. Ou seja, precisam de regras gramaticais.

Portanto não existem runas das bruxas, runas celtas (o nome correto é Oghan), runas dos dragões, runas das fadas, runas dos duendes, ou do “raio que o parta”.

Não estou aqui invalidando a eficácia do então chamado Runas das Bruxas, ou de qualquer outro oráculo chamado de runas, apenas busco elucidar essa questão.

Para saber mais sobre sugiro a leitura do História Rúnica, livro de Allan Marante. Que você pode adquirir direto com o autor em: 

https://clubedeautores.com.br/livro/historia-runica#.XIBeMdJKjIU

O MISTERIOSO SENHOR DA GUERRA VIKING DE BIRKA ERA, NA REALIDADE, UMA MULHER

(da página de Waldir Filho)
A tumba de Birka, na Suécia, é o lugar de repouso de um misterioso senhor da guerra viking. Ninguém conhece o nome do personagem, mas seus pertences não deixam dúvidas. Era um guerreiro de alto posto. Agora as análises de DNA não deixam dúvidas sobre outro dado: era uma mulher.

A jazida de Birka data do século X de nossa era e foi descoberta em 1889. Trata-se de um achado muito especial porque poucos vikings mereceram essa honra. Até agora, os arqueólogos tinham suposto que Bj 581, que é o código pelo qual se conhece ao guerreiro enterrado em Birka, era um homem que foi enterrado com sua espada, lança, machado, dois escudos, faca, várias figuras lavradas e dois cavalos de guerra.

No entanto, uma exaustiva análise realizada por pesquisadores das universidades de Estocolmo e Uppsala, na Suécia, chegaram a uma conclusão surpreendente. Bj 581, o misterioso senhor da guerra de Birka, era uma mulher de uns 30 anos no momento de sua morte e cerca de 1,70 m de altura. As análises ósseas e de DNA comprovaram isso.

A cultura popular e séculos de relatos de fantasia épica referem-se às Valquírias, um mito sobre o qual não existem provas. Foram descobertas algumas mulheres vikings enterradas com armas, mas nenhuma líder guerreira. As lendas escandinavas ou Sagas falam de poderosas guerreiras vikings. A saga de Hervör e Heidrek, por exemplo, é uma crônica do século XIII sobre uma guerreira que partiu em busca de uma espada mítica chamada Tyrfing.

A análise de isótopos dos restos achados na tumba de Birka demonstra que Bj 581 viajou muito durante sua vida. As pequenas figuras conservadas junto ao corpo sugerem que ademais ostentou um alto cargo militar, provavelmente no papel de estrategista. No túmulo havia um conjunto completo de peças de tabuleiro para planejar batalhas. A riqueza de sua mortalha indica que foi uma líder respeitada por sua gente.

Estudos ósseos de diferentes restos achados por toda Europa já sugeriam que a sociedade viking era bem mais igualitária do que se crê e que a metade dos guerreiros vikings que assaltavam a Europa provavelmente era de mulheres. Esta é, no entanto, a primeira prova tangível de uma senhora da guerra na sociedade viking.

Fonte: http://www.sciencemag.org/…/dna-proves-fearsome-viking-warr…

Texto retirado daqui: https://www.facebook.com/ensinarhistoriajoelza/posts/2083435781912684

Ilustração
Ilustração mostra a sepultura BJ581, com o esqueleto da guerreira, ornamentos e dois cavalos à esquerda (Foto: Reprodução/American Journal of Physical Anthropology)